Batismo de Jesus: manifestação de Deus, convite à conversão.

Ao celebrarmos a festa do batismo de Jesus encerramos as celebrações chamadas “epifânicas”, isso porque desde o natal temos visto como Deus se manifesta a humanidade: seja na gruta de Belém aos pastores; seja aos magos vindos do oriente; seja a dois anciãos servientes a Deus no templo; seja agora no início de sua vida pública, com sinais que mostram a sua divindade e missão no mundo, o Espírito que vem em forma de pomba, e a voz que declara solenemente quem é Jesus, é Filho de Deus, ainda mais, está nele o amor e a graça de Deus. (Mt 3,13-17)

Lendo a narrativa do evangelista São Mateus, também existente em São Marcos e São Lucas, nota-se desde o início a superioridade de Jesus. João Batista se espanta, não pode aceitar o fato que aquele por quem exultou ainda no seio de sua mãe, pudesse receber um batismo que significava e convidava a conversão. Jesus é quem batizará com Espírito Santo e com Fogo. Ainda que no embaraço da situação João Batista concorda, isso indica que o essencial da pregação de João é aceita por Jesus. Vale ressaltar ainda que o Batismo de Jesus deve ser lido e entendido como fato relevante em sua história, não é ato inconsequente de um aventureiro, representou uma guinada em sua vida, do que se sabe, representa a passagem de carpinteiro pouco conhecido a um devoto “missionário” em Israel, enviado a evangelizar. O batismo é o único sinal externo e historicamente verificável dessa mudança de vida e torna-se dentro desta perspectiva um episódio de profundidade teológica, indica o caminho de conversão que todos precisamos seguir.

Mais ainda Papa Bento XVI, escrevendo como teólogo, afirma que a Narrativa batismal liga-se com o mistério da Cruz do Senhor:

Porque se na descida a este batismo estão contidos uma confissão dos pecados e um pedido de perdão para um novo começo, então também está contida neste sim toda a vontade de Deus no mundo marcado pelo pecado, uma expressão de solidariedade com os homens, que se tornaram culpado, mas que se dirigem para a justiça. Somente a partir da cruz e da ressurreição é que todo sentido deste processo se tornou reconhecido. […] a partir da cruz e da ressurreição tornou-se claro para a cristandade o que estava acontecendo: Jesus tomou sobre os seus ombros o peso da culpa de toda humanidade; levou-a pelo Jordão abaixo. Ele inaugura o seu ministério inserindo-se no lugar dos pecadores. Ele inaugura-o com antecipação da cruz. (RATZINGER, J. Jesus de Nazaré: primeira parte do Batismo no Jordão à Transfiguração. São Paulo: Planeta, 2007. p.33-34.)

Passada a celebração do batismo do Senhor, adentramos o tempo comum, não é um tempo litúrgico menos importante. Em nossa vida de comunidade caminharemos meditando o Evangelho de São Mateus e se estivermos abertos à ação do Espírito Santo que fala aos nossos corações perceberemos que Deus se manifesta em nossa vida, não por meio de fatos extraordinários, ações descomunais ou shows de luzes e fogos. É na cotidianidade das nossas ações que vemos e percebemos a ação de Deus.

Pe. Anderson Ulatoski
Vigário Paroquial – Cerro Azul
Paróquia N. S. da Guia