ALIVIAR O SOFRIMENTO – (texto de Dom Edmar Peron)

Atentos poderemos perceber as pessoas que estão sofrendo e, aproximando-nos, ajudá-las a aliviar a própria dor...

Primeiramente quero saudar todos que acompanham nossa caminhada e missão. É uma oportunidade que considero muito importante para, como Bispo, dizer uma palavra aos católicos. Mas, acima de tudo, para tentar construir pontes, como os irmãos e irmãs de diferentes crenças e, se possível, com aqueles que tenham deixado de acreditar.

Como ponto de partida uso o  texto do Evangelho de  7 de fevereiro, o 5º Domingo do Tempo Comum. Nele se anuncia a passagem da cura da sogra de Pedro: Marcos 1,29-39. Jesus deixa a Sinagoga, lugar da assembleia orante e se dirige à casa de Simão Pedro, o lugar doméstico das experiencias humanas mais fortes. Ali, na casa, se dá o encontro entre Jesus e a pessoa enferma, que padece sobre uma cama. Ele se aproxima, segura a pessoa pela mão e a ajuda a se levantar.

Certamente, a doença está entre as experiências mais difíceis e exigentes que nos afligem. Ela faz sofrer a pessoa que está enferma – que sente sua vida ameaçada e, muitas vezes sem respostas para inquietantes perguntas: porquê essa doença? para quê? até quando? – e sofrem também sua família, as pessoas que a amam e aquelas que cuidam dela. A pandemia nos tem colocado continuamente diante dessas pessoas ou inclusive feito padecer a doença na “própria pele”.

Então, será que podemos fazer algo para ajudar a aliviar o sofrimento dessas pessoas? Como agir em relação a um familiar ou a um amigo que se encontra doente e, às vezes, gravemente doente? Olhando para Jesus o vemos entrar na casa de quem estava doente, aproximar-se da pessoa, tomá-la pela mão e ajudá-la a se levantar. Proximidade! Palavras e explicações valem pouquíssimo. É preciso, pois, estar perto, sem pressa, sem perguntas indiscretas, mas com grande respeito pela pessoa. Ser solidário nas lutas daquela pessoa contra as dores e os medos.

Isso requer sabedoria para compreender e respeitar a pessoa na etapa de sua doença e no estado de ânimo em que se encontra. Pensar na pessoa incluirá não se incomodar com sua irritabilidade, mas igualmente renovar a paciência a cada momento e permanecer a seu lado.

É importante ouvir o doente, deixar que conte e partilhe, diz Pagola: “as esperanças frustradas, as suas queixas e medos, a sua angústia perante o futuro. É um respirar para o doente poder desabafar com alguém de confiança. Nem sempre é fácil ouvir. Requer colocar-se no lugar do que sofre, e estar atentos ao que nos diz com as suas palavras e, sobretudo, com os seus silêncios, gestos e olhares. A verdadeira escuta exige acolher e compreender as reações do doente. A incompreensão fere profundamente a quem está a sofrer e se queixa. De nada servem conselhos, razões ou explicações doutas. Só a compreensão de quem acompanha com carinho e respeito pode aliviar”. Talvez esteja em nossas mãos ajudar quem sofre na doença a assumir atitudes saudáveis e positivas, sem deixá-la destruir-se por sentimentos estéreis e negativos, fechando-se em sua dor.

Ao longo desta semana, estando atentos, poderemos perceber as pessoas que estão sofrendo no corpo e no espírito e, aproximando-nos, ajuda-las a aliviar sua própria dor, demonstrando-lhes nossa proximidade. Cuidemos, pois, uns dos outros com amor fraterno.

Dom Edmar Peron