Entrevista: Dom Edmar Peron, Bispo da Diocese de Paranaguá

Dom Edmar Peron, Bispo da Diocese de Paranaguá,

Presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB

“Celebrar a Páscoa é encontrar na Palavra de Deus e no mistério da Cruz, da Sepultura e da Ressurreição de Jesus, uma luz a nos guiar, a nos arrancar da confusão, da indecisão, das nossas inseguranças e do medo da morte”.

Pascom: Dom Edmar Peron, como devemos refletir sobre o verdadeiro significado da Páscoa?

Dom Edmar: Na quinta-feira santa, a Igreja conclui a caminhada da Quaresma, iniciada na quarta-feira de cinzas, e começa os dias sagrados do Tríduo Pascal, quando celebraremos Cristo em seu mistério de Cruz, de Sepultura e de Ressurreição. Cristo que para nossa salvação foi pregado na Cruz, morto, sepultado, desceu à mansão dos mortos e ressuscitou. Está Vivo. Este é o anúncio que nós fazemos na Páscoa. Cristo ressuscitou! Ele está vivo, vivo junto do Pai, por sua Ascensão aos Céus, e permanece conosco todos os dias até o fim dos tempos, como Ele prometeu, e nós aguardamos para o final dos tempos a sua vinda gloriosa: e o seu reino não terá fim. Será o reino da vitória da vida sobre a morte. Vitória última; definitiva.

Assim quando nós olhamos para este mistério da Cruz e da Ressurreição de Jesus nós compreendemos melhor o sentido da Páscoa, desta passagem da morte à vida, que já se deu em Jesus, que no batismo aconteceu conosco e acontece cada vez que a humanidade passa de condições menos humanas para condições mais humanas, dignas. A Páscoa é esta vitória já realizada e em, profecia, anunciada.

Pascom: Bispo, como é o seu sentimento sobre a situação de celebrar esta Páscoa nestes dias difíceis de pandemia?

Dom Edmar: Nós estamos realmente vivendo uma situação complicada: pandemia do novo coronavírus, a covid-19. Ao mesmo tempo vamos celebrando a liturgia do Tríduo Pascal do Senhor. Na noite Santa da Ressurreição, quando acendermos o Círio Pascal – aquela grande vela – iremos dizer: “A luz do Cristo que ressuscita resplandecente dissipe todas as trevas de nosso coração e nossa mente”.

Então, eu creio que celebrar a Páscoa é encontrar na Palavra de Deus e no mistério da Cruz, da Sepultura e da Ressurreição de Jesus, uma luz a nos guiar, a nos arrancar da confusão, muitas notícias contraditórias, uma luz para nos arrancar da indecisão, das nossas inseguranças e do medo da morte. Um anúncio de algo novo que pode surgir, não só na nossa vida, mas na humanidade e no mundo, após esta pandemia. Acredito que a Páscoa não perde seu sentido sendo celebrada nestes tempos difíceis, mas até nos ajudará a recuperar muita coisa na nossa vida que estava ficando para trás.

Pascom: O senhor pode nos explicar, uma vez mais, sobre o significado de não comer carne na quaresma e principalmente na sexta-feira da semana santa?

Dom Edmar: Sim, o gesto de não comer carne é uma prática presente na Igreja desde as primeiras comunidades, é milenar. Os motivos apresentados historicamente são variados, mas o importante é que nós consideramos o dia em que devemos fazer penitência e não comer carne: a Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor e todas as outras sextas-feiras do ano, quando não houver uma solenidade. É um gesto que fazemos para nos unir a Jesus que se sacrificou para nossa salvação. Unimos este gesto com o jejum. A sexta-feira Santa não é dia de banquetes, não é dia de festa, é dia da Paixão, dia da comunhão com o Senhor que por nós foi crucificado e morreu.  É esta comunhão com o Senhor que dá sentido ao gesto de não comer carne. É um dia para nos educar a não fazer sofrer nenhuma criatura, e a não matar ninguém, nem os animais nem as pessoas, mas deixar viver. Quem não come carne nunca – aqui não me refiro a quem não tem dinheiro para comprá-la, mas a quem não gosta de carne – precisa encontrar voluntariamente outra penitência para oferecê-la ao Senhor. Vale a pena, sim, assumir este compromisso de não comer carne, de fazer jejum e tomar uma única refeição no dia. Mas, quero lembrar o que o Papa Paulo VI fala deste processo de conversão que inclui a penitência: Ele diz que as melhores obras, as primeiras, as que mais ajudam no caminho de conversão, são a oração, o jejum e as obras de caridade.

Pascom: Todas as dioceses, em suas paróquias e comunidades, nestes tempos prepararam uma programação especial de Páscoa, para levar a Igreja para dentro das casas, seguido a linha do “on line”. Como uma referência na liturgia da Igreja Católica, o que o senhor pode nos dizer sobre isso?

Dom Edmar: As celebrações da Semana Santa foram afetadas pela pandemia, temos muitas “lives” transmitindo celebrações, bem como as transmissões pelas rádios e TV´s. especialmente no Tríduo Pascal. Mas é importante considerar o seguinte: agora é a hora de recuperar algo que muitas famílias perderam, a oração em comum. Não se pode contentar em assistir, mas precisa empenhar-se em celebrar na própria casa. A CNBB tem no seu site, Celebrações da Palavra que podem ser baixadas gratuitamente e serem feitas em casa; uma para cada dia. O Apostolado Litúrgico também preparou ótimos roteiros de celebração. Não vamos nos limitar àquilo que passa pelas transmissões, que passa nas redes sociais. Você é chamado, é chamada a fazer a experiência que rezar em família. Que, passado este tempo da pandemia, possamos ter resgatado este tempo necessário para todas as famílias, o tempo para rezar juntos. Será mesmo triste celebrar na Catedral esses dias, sem a presença normal dos fiéis. Vai ser uma dor no coração. Uma das medidas de combate contra o avanço do coronavírus é justamente o distanciamento social, sem poder fazer uma grande reunião das pessoas. Isso feriu o coração da Igreja, pois Igreja é reunir-se, Igreja é comunhão, “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”. Sonhamos com o dia em que retornaremos às nossas celebrações, proclamando a vitória de Cristo sobre toda experiência de morte.

Por isso, agrademos o esforço e contamos com a compreensão de todos; podemos desde já desejar uma Feliz Páscoa na certeza da vitória de Cristo!

 SERVIÇO:

Horário das Celebrações do Tríduo Pascal COM DOM EDMAR PERON, BISPO DE PARANAGUÁ, de 9 a 12 de abril de 2020.

  1. Abril – Quinta-feira Santa

Às 18h30, Santa Missa da Ceia do Senhor – Transmitida ao vivo da Catedral Diocesana de Paranaguá.

  1. Abril – Sexta-feira Santa

Às 8:30, Oração da Manhã.

Às 15h00, Celebração da Paixão do Senhor – Transmitida ao vivo da Catedral Diocesana de Paranaguá.

  1. Abril – Sábado Santo.

Às 8:30 Oração da Manhã.

– Ao anoitecer, quando o sábado termina e tem início o domingo – Às 19h30, Vigília Pascal –

Transmitida ao vivo da Catedral Diocesana de Paranaguá

  1. Abril – Domingo de Páscoa

Às 09h00, Missa do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor – Transmitida ao vivo da Catedral Diocesana de Paranaguá e pela Rádio web Nova arca e FM 104.

Página da Diocese de Paranaguá:

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