CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017: CUIDAR DA CRIAÇÃO E PROMOVER RELAÇÕES FRATERNAS.

Quaresma, tempo de conversão! Conversão vivida com alegria e alimentada pela esperança. É como um caminho que conduz novamente o filho à casa do pai misericordioso (Lc 15,11-32), que faz festa e se alegra porque seu filho “estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado”. É um seguir os passos de Jesus em seu caminho de total doação: “Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão caçoar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará” (Mc 10,33-34).

A Igreja do Brasil, desde 1964, tem dado a essa “conversão quaresmal” uma dimensão eclesial e social, por meio da realização da Campanha da Fraternidade. Ela tem sido uma possibilidade “de experimentar a espiritualidade pascal capaz de gerar, ao mesmo tempo, a conversão pessoal, comunitária e social” (Texto-base, n. 20; a seguir, esse texto será indicado apenas com um número entre parênteses).

A Campanha deste ano de 2017 “se apresenta como um instrumento à disposição das comunidades cristãs e de todas as pessoas de boa vontade para enfrentar, com consciência crítica, o lema: Cultivar e guardar a criação (Gn 2,15), com o tema: Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” (20). Deste modo, reconhecemos que a conversão da quaresma inclui também um “voltar-se para a vida da criação que nos cerca” (21), os diferentes biomas brasileiros e, especificamente, o nosso bioma, a “Mata Atlântica”.

Procurando ajudar a compreender o sentido de um bioma, o texto-base da CF 2017 diz que “um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada região, cuja vegetação é similar e contínua, cujo clima é mais ou menos uniforme, e cuja formação tem uma história Comum. […] No Brasil temos seis biomas: a Mata Atlântica, a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga e o Pampa. Nesses biomas vivem pessoas, povos, resultantes da imensa miscigenação brasileira” (5).

É importante recordar que, vivendo no bioma “Mata Atlântica”, estamos conectados aos mais de 200 milhões de brasileiros, fazemos parte dos cerca de 7 bilhões de pessoas que habitam o nosso planeta juntamente com bilhões e bilhões de seres vivos. E, acima de tudo, como lembra o Papa Francisco, pertencemos todos a uma e mesma “casa comum”. Somos cidadãos globais e, por Deus, feitos “zeladores e cultivadores” de toda a criação.

O que poderemos fazer para revelar nossa conversão, à luz da Campanha da Fraternidade?

Para responder a essa pergunta podemos ir ao Capítulo III do Texto-base: AGIR. “Cuidar dos biomas brasileiros além de ser uma ação de fé e cidadania é uma demonstração de comprometimento com o Criador, que paulatinamente espera a conversão de seus filhos e filhas” (266). Deste capítulo terceiro podemos tomar alguns exemplos de ação (nn. 269 e 278):

– retomar as questões da Campanha da Fraternidade 2016, renovando os esforços por saneamento básico, e exigindo do poder executivo a consolidação do plano municipal de saneamento básico.

– não desmatar morros, encostas, áreas de preservação e matas ciliares;

– fortalecer articulações em todos os níveis como a melhor forma de suscitar uma nova consciência e novas práticas na defesa dos ambientes essenciais à vida;

– aprofundar estudos e promover debates nas escolas sobre o tema da CF 2017;

– fortalecer a ecologia integral que começa com os pequenos gestos: colocar o lixo somente no lixo, sem deixar jogado por aí papeizinhos de bala, tampinhas de garrafa, restos de comida…;

– promover rodas de conversa, em pequenos grupos, sobre o tema e o lema da CF 2017;

– fomentar e/ou apoiar ações relacionadas à despoluição e revitalização de bacias e rios;

– apoiar a produção agroecológica camponesa com base na economia familiar;

– incentivar a produção e consumir produtos agroecológicos e sustentáveis provenientes da economia solidária.

A partir desses exemplos você e sua comunidade podem criativamente realizar outras ações referentes ao cuidado e defesa da criação: Cultivar e cuidar da criação (Gn 2,15)

E, para concluir, retomo outra expressão do texto-base: “Uma pessoa de fé que faz sua caminhada quaresmal rumo à Páscoa, ao tomar consciência da realidade do modo como são tratados os biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente” (20). Deus nos livre da indiferença quanto à vida do Planeta que clama por viver.